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  • Rodrigo Calado

Implantes dentários e Bisfosfonatos: uma armadilha para sua saúde?


Bem vindos ao Blog Prima Face. Neste post discutirei com vocês sobre a terapia de implantes em pacientes que fazem uso de medicamentos da classe Bisfosfonatos.


Para que servem estas medicações?


O uso mais comum destes medicamentos é para a prevenção das metástases ósseas e o efeito destas em doenças como câncer de mama ou próstata, além de mieloma múltiplo e doença de Paget (uso endovenoso). Atualmente, o uso destes fármacos tornou-se muito comum também para o tratamento de osteopenia e osteoporose (uso por via oral), especialmente em mulheres após a menopausa.



Qual o efeito destas medicações?


O efeito principal deste fármaco é causado pela inibição de uma célula que faz parte do tecido ósseo chamada osteoclasto. O osteoclasto é responsável pela absorção do tecido ósseo. Como o osso é um tecido vivo, que remodela-se constantemente, os processos de absorção e deposição óssea são contínuos, mantendo a matriz óssea sempre jovem e saudável. Com a inibição da função dos osteoclastos, este processo de remodelação é parado em uma de suas fases, no caso, na fase de absorção. Desta forma, a renovação óssea não ocorre.


Por que devo tomar cuidado ao fazer implantes caso eu use bisfosfonatos?


Os implantes dentários são instalados nos tecidos ósseos da mandíbula e maxila (ossos onde a atividade osteoclática é mais afetada), e após a instalação destes existe uma integração completa entre o osso e o implantes. Quando não temos a remodelação óssea presente, esta integração pode não ocorrer e o tecido ósseo traumatizado pela instalação do implante terá uma cicatrização mais difícil e duvidosa.


Se eu uso bisfosfonatos não posso fazer implantes?

Uma avaliação inicial é necessária com exames de imagem e de laboratório. Dependendo dos resultados, que nos darão a quantidade de bisfosfonato impregnado no osso, teremos informações sobre a atividade de remodelação óssea. Caso seu tecido ósseo tenha a remodelação mantida, você poderá fazer implantes, preferencialmente, utilizando-se técnicas pouco traumáticas como implantes guiados e sem cortes.


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